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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

PPS completa 20 anos de luta pela democracia e por reformas estruturais

O Partido Popular Socialista (PPS) completa nesta quinta-feira (26) 20 anos de fundação.
Em texto divulgado pela Direção Nacional, o partido lembra que a transição do PCB para PPS (em 1992) representou, portanto, um esforço consciente de reconstrução da esquerda democrática brasileira.
Leia abaixo íntegra do texto.
" Vinte anos de luta pela democracia e por reformas estruturais
Há exatos vinte anos, no Teatro Zácaro, em São Paulo, os delegados eleitos naquele que foi o último congresso do PCB aprovaram, por ampla maioria, a transformação do partido em PPS. Não se tratou de uma simples mudança de nome e simbologia. Havia uma questão crucial que opunha os partidários da mudança e aqueles que se reorganizaram em torno do antigo nome partidário: reconhecer, ou não, o esgotamento do modelo de mudança social inaugurado com a revolução de outubro de 1917. Ou, na forma afirmativa, defender a democracia como único e necessário caminho para as reformas estruturais no rumo de oportunidades iguais para todos até a superação do sistema capitalista.
O PCB encontrava-se, no campo da esquerda, em condições excepcionais para dar esse passo decisivo. Não apenas em razão da opção clara pelo caminho democrático e de uma política de amplas alianças, afirmada já em 1958, mas, principalmente por ter, no pós 1964, passado por duas experiências poderosas de pedagogia democrática: a resistência à ditadura militar e o apoio à tentativa fracassada de autorreforma do regime soviético. Enquanto o insucesso da perestróika acabou com as ilusões de alcançar o socialismo por meio da economia estatizada e do regime de partido único, a reconquista da democracia no Brasil fortaleceu a confiança na mobilização popular, no voto, na construção de alianças e consensos como instrumentos de mudança.
A fundação do PPS representou, portanto, um esforço consciente de reconstrução da esquerda democrática brasileira, no momento em que a falência dos paradigmas anteriores tornou-se evidente. Esse esforço assentou-se em alguns princípios que diferenciaram de forma clara o PPS das demais alternativas partidárias da esquerda, ainda vinculadas, de forma mais ou menos ortodoxas, a esses paradigmas.
O primeiro é a centralidade da questão democrática. Sem democracia não há mudança sustentável, como mostrou a história dos países que passaram pelo chamado socialismo real. Democracia supõe regras pétreas, como a garantia de direitos individuais e coletivos, mas não pode ser reduzida a um modelo imutável de representação política, como mostra a demanda por canais mais eficientes de participação que se alastra hoje pelo mundo.
O segundo é a garantia de padrões mínimos aceitáveis de equidade social, inalcançáveis em condições de funcionamento desregrado dos mercados mundiais, como mostrou sobejamente o incremento das desigualdades nos anos recentes de prosperidade do capitalismo mundial, padrões esses que longe estão de ser superados com medidas assistencialistas.
O terceiro é a necessidade do desenvolvimento, condição de patamar mínimo de sobrevivência com dignidade que se pretende instituir como padrão para todos. A nova esquerda democrática não ambiciona socializar a pobreza, mas a prosperidade.
O quarto é a incorporação da sustentabilidade como condição do desenvolvimento responsável. Assim como não queremos desenvolvimento às custas da equidade, como tem sido o padrão dos surtos de modernização conservadora no Brasil, tampouco queremos o desenvolvimento às custas das gerações futuras. Nossos descendentes precisam ser incorporados na estratégia da equidade.
Transformar esses princípios em diretrizes e projeto político exige pensar em atores e instrumentos. Consideramos que a esquerda democrática deve dirigir-se a todo cidadão e aos mundos do trabalho e da cultura, mas dialogar preferencialmente com um grupo que representa a maioria deles, com interesse direto na tradução dessas ideias em propostas e programas de governo: aqueles cidadãos vinculados não apenas ao antigo mundo dos trabalhadores formais, mas também ao novo e crescente mundo dos trabalhadores autônomos, familiares, cooperados, micro e pequenos empreendedores.
Evidentemente que, passados vinte anos, os brasileiros obtiveram alguns êxitos, tal como em outros países da América Latina e do planeta, não apenas no plano das liberdades individuais e coletivas mas de alguns avanços sociais e melhores condições de vida, tudo isso a partir da Nova República, como resultado do período historicamente mais longo de institucionalidade democrática vivida pelo país e em decorrência do Plano Real, implantado em 1993, no Governo Itamar, e consolidado no Governo FHC, e da tranquilidade econômica que o mundo viveu de 2002 a 2008.
Porém, após essas duas décadas, é fácil verificar a atualidade da agenda do PPS, não apenas porque o mundo assiste estarrecido e sofre direta ou indiretamente as conseqüências da mais ampla e profunda crise econômico-financeira do capitalismo, mas porque as forças eleitoralmente mais significativas da esquerda brasileira hoje no poder, de um lado perderam-se em um discurso que compactua com a ortodoxia esquerdista e uma prática acomodada às limitações conservadoras impostas pelo sistema político brasileiro, intocado até agora após 11 anos de vigência do petismo; e de outro, dão continuidade a uma política econômico-financeira claramente rendida ao pensamento único e à hegemonia econômica neoliberal, contestada por eles desabridamente antes de chegarem ao Planalto.
Nesse quadro, o PPS prossegue, sem qualquer salvacionismo ou pretensão de exclusividade, com as dificuldades de uma trajetória quase integralmente na oposição, no rastro de seu projeto estratégico: o de reconstruir a esquerda democrática e reformista no Brasil. Nada a estranhar, portanto, do lema do nosso XXVII Congresso, realizado em dezembro passado: unir a esquerda democrática para mudar o país.
Brasília, 26 de janeiro de 2012
Deputado Roberto Freire, presidente nacional do PPS

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

PPS lamenta morte do comunista Fernando Peixoto

Por: Assessoria do PPS

O presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (PPS-SP), divulgou nota em que lamenta a morte do ator e teatrólogo Fernando Peixoto, ocorrida ontem (15). Ele estava internado no Hospital São Luiz, em São Paulo, por causa de complicações em um antigo tratamento contra tumor no intestino.

Freire ressalta, na nota, que Peixoto foi comunista desde muito jovem e que "suas atividades profissionais estavam sempre marcadas por sua concepção de mundo e pelo sonho de uma sociedade democrática e equânime". Ele chegou a ser membro do Comitê Central do PCB. Leia íntegra da nota de Freire abaixo:

"Uma enorme perda para o Brasil

O Brasil perdeu hoje (15/01/2012) um dos seus mais importantes homens de teatro – o gaucho Fernando Peixoto. Internado no Hospital São Luiz, em São Paulo, desde dezembro, ele morreu, aos 74 anos, após complicações no seu tratamento contra um tumor no intestino, o qual se arrastava há vários anos. Iniciando sua carreira teatral, em Porto Alegre/RS, em 1953, dez anos depois mudou-se para São Paulo, onde se ligou ao Teatro Oficina e logo depois ao Teatro de Arena. Além de excelente intérprete, tanto no teatro como no cinema, foi diretor teatral de peças que comoveram os brasileiros, tradutor de obras clássicas de Bertolt Brecht, autor de vários e imprescindíveis livros sobre teatro, além de professor e dirigente de coleções nas editoras Paz e Terra e Hucitec, deixando uma rara marca de simultaneidade na produção artística e teórica.

Comunista desde muito jovem, suas atividades profissionais estavam sempre marcadas por sua concepção de mundo e pelo sonho de uma sociedade democrática e equânime. Na segunda metade dos anos 1980, ele chegou a ser membro do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro, motivo de justo orgulho dele, do nosso partido e meu pessoalmente. No período da resistência democrática, organizou e dirigiu shows pela anistia, realizados como protesto nos tempos da ditadura militar, com a participação de Chico Buarque, Milton Nascimento, Quinteto Violado e outros grandes artistas nacionais, ao lado de suas atividades no teatro e como escritor, e escrevendo regularmente em alguns dos mais importantes órgãos da imprensa alternativa, como os semanários Opinião, Movimento, A Voz da Unidade (porta-voz do PCB), e as revistas Civilização Brasileira, Argumento, Debate & Crítica, etc.

O PPS, herdeiro do melhor da cultura pecebista, lamenta a morte desta figura singular da vida cultural brasileira, que deu inestimável contribuição ao elaborar e batalhar para termos um teatro no Brasil antenado com o melhor que se faz no mundo, e transmite aos seus familiares, amigos e companheiros de labuta teatral as suas mais sentidas condolências.

Brasília, 15 de janeiro de 2012

Deputado Roberto Freire"