por Celso Pitol
Presidente do PPS Canoas
As democracias mais desenvolvidas do Ocidente têm sempre dois grupos que alternam espaço no poder: os progressistas e os conservadores. Cada qual tem um papel a ser cumprido no cenário político das nações e assumem nomes distintos em cada país: naqueles onde dois partidos tomam a dianteira, como a Inglaterra e os EUA, progressistas e conservadores são, respectivamente, trabalhistas e conservadores ou democratas e republicanos. Em outros países, onde o pluripartidarismo é a ordem, dispersam-se em várias siglas, algumas com influência histórica decisiva, como é o caso do Partido Social-democrata alemão, que conta com 135 anos de história. Nestes países, a diferença programática entre os partidos e a sua alternância no poder não obsta e nem ameaça a vivência democrática. Ao contrário: é justamente esta mesma alternância que a fortalece, vivifica e perpetua.
Infelizmente, o atual quadro da política brasileira, onde abundam o fisiologismo, o esvaziamento ideológico, o debate rasteiro, a falta de compromisso com a população e a corrupção tolerada e, por vezes, promovida pelo próprio Estado, não permite que tenhamos a presença destes dois pólos de discussão. O que aqui se denomina “esquerda” e “direita” são, na maior parte das vezes, simples conjuntos de slogans básicos e sem qualquer vínculo com a prática dos partidos, que tende a orientar-se principalmente pela busca desenfreada pelo poder e por cargos públicos.
O PPS é um partido assumidamente progressista. Acreditamos firmemente que a sociedade tem um caminho de aperfeiçoamento constante e evolução permanente a seguir. Tal aperfeiçoamento passa, necessariamente, por melhoria das condições sociais, por acesso à educação, à justiça, à cultura, à saúde e a outros bens e direitos que, por ora, não estão acessíveis a todos. Acreditamos também que o socialismo democrático é a melhor forma de tornar tais bens e direitos acessíveis a todos, respeitando sempre o bem maior da liberdade, sem o qual nenhum regime político é digno de existir. E, por isso tudo, acreditamos na democracia. E numa democracia sadia, vigorosa e capaz de atender aos anseios do povo.
Nossa história – iniciada no longínquo 1922 com a criação do Partido Comunista Brasileiro, do qual orgulhosamente descendemos – sempre foi pautada pela defesa dos ideais humanistas que são, em essência, os ideais dos verdadeiros progressistas. Soubemos mudar quando as circunstâncias nacionais e mundiais mudaram, adaptando-nos aos novos tempos sem nunca esquecer de onde viemos. No presente, orgulhamo-nos de nossos representantes nas mais diversas esferas da política nacional. A lisura e o respeito às instituições republicanas é condição sine qua non do filiado do PPS. Nosso partido está aí para freqüentar a seção de política dos jornais – e não a de polícia.
Por isto tudo, acreditamos também que, neste quadro sombrio em que vive a política brasileira, neste momento em que vemos os auto-denominados “esquerdistas” do país sem qualquer força moral para mudar uma situação que eles próprios ajudaram a criar, o PPS sente-se capaz de ser a liderança de um novo movimento de forças progressistas, comprometido com o Brasil, com a democracia e com as aspirações populares. É o nosso dever histórico e nossa missão.