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domingo, 26 de junho de 2011

Afeto, amor e sexo

Dra. Rosane L. Cunha

Qualquer comparação que se realize entre diversos países latinos sobre estes conceitos: afeto, amor e sexo, devem realizar-se necessariamente com muita cautela. Refere o antropólogo social Conrad Phillip Kottak (2003), que existe um impactante contraste cultural entre uma cultura individualista, que se afasta do contacto físico e outra em que sucede o contrario. Frases do tipo: “não me toques”, “não me de beijos”, “quanto mais longe melhor”, não formam parte da cultura brasileira, onde estas condutas são interpretadas como signo de frieza.

A aproximação corporal dos brasileiros é algo natural, e em especial, no caso das mulheres pode ser mal interpretada desde outras concepções culturais, como uma solicitação ou insinuação para una relação sexual. Esta confusão costuma ser devida as diferentes idéias que tem as culturas sobre a idoneidade do espaço social. Os beijos, os abraços e o costume de se tocar, são condutas visíveis, que supõem uma grande diferença cultural entre os brasileiros e outras culturas latinas e não latinas. Esta diferença radica tanto nos diferentes valores culturais ou visão de mundo como na forma de percepção do outro, e não deve ser julgada de maneira precipitada, uma vez que emana de uma forma de ser nacional. Essa forma de ser do povo brasileiro também pode ser percebida quando ele é considerado o povo que mais está preocupado com o aquecimento global do planeta. Alguma cultura em concreto pode temer o contato físico e confundir o amor e o afeto com o sexo, mas a cultura brasileira não teme o contato físico e tem discernimento do que é amor e o que é sexo. Pode ser que justamente por não temer o contato físico e não confundir amor com sexo o que coloca o povo brasileiro como sendo o povo mais preocupado com as ameaças de aquecimento do planeta. Resultaria muito positivo para o povo brasileiro que ele continue levantando sua voz em defesa da preservação do planeta.

O Brasil é um país jovem, tem pouco mais de quinhentos anos, e ocupa grande parte de um continente. O afeto que os brasileiros têm o representa a estatua do Cristo Redentor no Estado do Rio de Janeiro recentemente escolhida como uma das sete novas maravilhas do mundo. O afeto, o amor dos brasileiros é tão grande, que é capaz de abraçar a todo o mundo inclusive aqueles que consideraram a eleição uma “farsa em escala global”. É assim o sentimento do povo brasileiro que após quinhentos anos que o Velho Mundo o descobriu e o colonizou continua mantendo a idoneidade do espaço social com gerações descendentes daqueles colonizadores e imigrantes de maneira harmoniosa. Harmonia esta que tão bem o representa os braços abertos do Cristo Redentor e que pode servir daqui para em diante como uma referencia mundial para todas as culturas.

Para finalizar esta breve reflexão sobre os três conceitos: afeto, amor e sexo resultam importantes para referir que, pode ser que o que sucede é que os brasileiros entendem - quisás de maneira inconsciente - que o espaço social deve ser ocupado de maneira idônea por o afeto, amor e sexo e não por ódio, violência, discriminação, orgulho e destruição. Essa visão do espaço social é talvez o que qualifica o povo brasileiro representado agora através da estátua do Cristo Redentor uma das sete maravilhas mundiais a ser no período contemporâneo o guardião número um da preservação do Planeta.

Ao final, o povo brasileiro tem muito que aprender de outras culturas, porem também tem muito que ensinar-lhes, como por exemplo, tudo que se relacione com a importância que o afeto, o amor e o sexo têm entre as pessoas. O povo brasileiro pode ensinar a outras culturas novos valores de ocupação adequada do espaço social sem comprometer o próprio planeta.

Doutora em Psicologia e Ciências da Educação pela Universidade de León, Espanha.

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